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O universo feminino é muito interessante. Vivemos vidas paralelas, vivenciamos situações muito parecidas que poderiam servir de lições para uma convivência melhor com as pessoas, bem como na relação conjugal, se fossem observadas de maneira diferente e não simplesmente como fonte para a fofoca do dia. “Mas nós não fazemos fofoca, nós comentamos a vida alheia”, completou uma amiga outro dia. Não pretendo fazer apologia à fofoca, muito pelo contrário, nosso objetivo é o de levantar questões sobre um universo pouco comentado de maneira adulta, sem malícias, o universo da segunda esposa, que também pode ser da terceira, quarta ou quantas forem, haja fôlego.

A ideia de escrever sobre o universo da segunda esposa surgiu quando caminhava pela praia com uma amiga há alguns dias. Assim como eu, ela é a segunda esposa. No bate-papo descobrimos algumas situações em comum vivenciadas junto às famílias e amigos dos nossos esposos e como somos vistas por eles. Neste mundo somos observadas o tempo todo e podemos nos analisar de algumas formas… como eu me vejo, como penso que sou vista e como realmente sou vista. Literalmente sou a segunda esposa, mas me sinto como a única, afinal de contas, meu marido sempre se declara dizendo que — “nasceu no dia em que me conheceu”. Romântico não?

Conheci meu marido longe de sua cidade, onde foi casado por pouco mais de três anos com sua primeira mulher. Quando o conheci ele me confidenciou a sua separação. Fomos amigos por cerca de um ano e, depois disso, nos apaixonamos. E, olha, já se vão 29 anos. Não sei se tive sorte, mas ele não teve filhos no primeiro casamento, o que, claro, facilitou nossa relação. Após três anos juntos tivemos um filho. Meu garotinho nasceu lindo, formoso com mais de três quilos e quarenta e cinco centímetros, sempre foi uma criança esperta, alegre e cativante. Hoje, com 26 anos, é meu melhor amigo, companheiro.

Já minha amiga, aquela que estava passeando na praia comigo, conheceu seu marido após ele estar divorciado a mais de dois anos, mas com um filho. Ela contou que até hoje cuida do rapaz como se fosse seu, mas que no início ele deu muito trabalho, não aceitando a relação do pai com a “OUTRA”, como ele se dirigia a ela. Com mais de cinco anos de união, ela engravidou e hoje é mãe de uma linda menina. E o rapaz, já moço, trata as duas com muito carinho.

Nós mulheres mães sabemos que, conversa vai, conversa vem, o assunto filho estará sempre em pauta e foi o que aconteceu. Nessa caminhada pela praia contamos vária peripécias das crianças e acabamos por confidenciarmos situações em comum, relacionadas aos nossos filhos, vivenciadas junto às famílias e amigos que conviveram com o primeiro casamento dos nossos maridos.

Minha amiga contou que uma certa senhora, amiga de infância dele, sempre que se reúne comenta que a filha dela não se parece com seu marido, já que ele é descendente de japonês e ela não é. Apesar de a garotinha ser a cara do pai, ter os olhinhos puxados… ela sempre solta esta pérola. Seu marido já foi até indelicado com a dita cuja, mas não adianta, ela sempre  volta a este assunto com malícia. Uma tia do meu marido fazia insinuações semelhantes, até que um dia eu mesma dei-lhe uma patacada e ela parou de me amolar.

O assunto filho, não parecido com o pai ou com a família, leva a uma insinuação maldosa e constrangedora sugerindo que a segunda esposa possui comportamento duvidoso em relação à fidelidade no casamento. O interessante é observar como as pessoas se preocupam com coisas que não lhes dizem respeito e ainda são capazes de falar com maldade e insinuações desagradáveis, mesmo sem conhecer a verdade.

A partir desse assunto, ficamos relembrando várias outras situações e acabamos por questionar: se a relação não vai bem, se um casamento foi encerrado e outro esta consumado, porque será que geralmente as mulheres da família rejeitam a segunda esposa? Será que seremos consideradas como a “OUTRA” por toda uma vida? Digo as mulheres porque ao conversar com outras segundas esposas verifiquei que ao confidenciarem suas vivências desagradáveis, estas estavam na maioria das vezes relacionadas a uma mulher. Será que existe rejeição dos homens em relação ao segundo esposo ou isso só é coisa de mulher?

Estou aqui falando somente de um assunto, mas como as provocações não são somente em relação a filhos, compartilhe a sua história para que possamos, juntas, levantar a nossa bandeira contra o preconceito em relação à segunda esposa.

Ou será que carregaremos para sempre o estigma da ETERNA OUTRA?

É bom esclarecer que o intuito aqui é o de conversarmos sobre sentimentos e situações que nos levam a agir de forma preconceituosa em relação à vida das pessoas, independentemente da forma como elas vivem.

O importante é ser e fazer quem está ao nosso lado feliz, é aceitar e conviver com a felicidade alheia, pois quem é feliz não perturba!

Um abraço, Iêda Boucault


Quem é Iêda Boucault?

Psicóloga e Educadora Física. Mestre em Ciências da Educação, pós-graduada em: Educação Especial, Dinâmica de Grupo e Relações Interpessoais, Educação Física para Pessoas com Deficiência. Professora universitária por mais de 20 anos. Casada e mãe.

  1. Patrícia Gattone

    dez 10, 2015

    Oi, querida. Primeiramente fico muito feliz de você ter se identificado com o texto e procurado compartilhar aqui no blog essa situação que está vivendo. A Ieda, colunista aqui do Espaço de Mulher e que fez esse texto, realmente pontuou esse assunto de uma maneira muito fofa e delicada, né? Mas olha… fique tranquila que não é só você que passa por isso. Na verdade a Ieda é segunda esposa e eu, Patrícia Gattone, também. E um dia estávamos batendo papo depois de um jantar e começamos a falar sobre essa questão de ser segunda esposa. E se o assunto começou entre a gente é porque muitas mulheres em todo o mundo também devem falar sobre isso rsrsrsrs…. Te garanto que essa conversa rende muito em rodinhas de casais, até porque nos dias de hoje aumentou significativamente o número de recasamentos, ou seja, de pessoas que já estão no segundo… terceiro casamento. Claro que só quem vive o dia a dia de uma relação sabe, de fato, o que está acontecendo. Mas te deixo uma dica e espero que depois você me conte se deu certo 🙂 Primeiro, tenha em mente que se você já fez o seu papel de tentar aproximar essas pessoas que se afastaram do seu marido, você não pode sofrer por uma atitude egoísta delas. Se o seu marido fica mal por uma atitude dos outros e que você não tem culpa, será que não valeria a pena ele tentar resolver essa situação de uma maneira amistosa? Afinal, o amigo era dele… e as filhas serão eternamente filhas deles. Ele pode tentar conversar com esse amigo e com as filhas e dizer que ele é feliz com você hoje e que gostaria muito de poder continuar tendo eles por perto também – amigo e filhas. Se mesmo assim eles não quiserem entender, até porque já são todos adultos, é hora de vocês tocarem a vida ao lado de quem realmente ama e gosta de vocês. Você não pode sofrer por uma atitude que os outros querem impor na sua vida para prejudicar o relacionamento de vocês. Não desista, só te falo isso.

    Se você realmente ama seu marido converse com ele… tentem encontrar a melhor solução juntos. E se mesmo assim as pessoas não quiserem entender, procurem seguir a vida rodeados só de quem realmente quer compartilhar momentos de alegria com vocês. Senão vocês vão deixar de ser feliz e de curtir momentos maravilhosos juntos com essa nova família que formaram por causa dos outros, que querem justamente que tudo dê errado entre vocês. Nesse caso, talvez tenham que deixar algumas pessoas para trás. Mas se for necessário, em nome da felicidade de vocês e por egoísmo das outras pessoas, sigam em frente assim mesmo!

    Espero que esteja gostando do blog e sempre que quiser bater um papo, deixe seus comentários por aqui… vou adorar falar com você. Beijinhos, Patty

  2. Elisangela

    dez 10, 2015

    Hoje pela primeira vez busquei no google algo sobre ser a segunda esposa, e achei seu texto. Há 8 anos conheci meu marido ele já havia se separado há 10 meses de um casamento de 26 anos. Ele tem 2 filhas hj com 34 e 30 anos e um adotivo de 25. nos casamos legalmente no dia 06/11/2015. nunca imaginei que após 8 anos ainda teria problemas com as filhas dele nem mesmo com amigos e parentes dele, mas tive. as filhas não foram ao casamento, o melhor amigo tb não pelo contrário ligou pra ele pedindo que fosse até a casa dele para conversarem antes do casamento, esse amigo é amigo do ex casal há 30 anos, o irmão dele tb falou com ele antes do casamento e disse que só reconhece as duas sobrinhas e um sobrinho e a cunhada dele ainda é a ex. temos uma menininha de 3 anos, o que nos deixou muito chateados com o irmão dele pois a menininha é um anjinho. nada foi suficiente para ele desistir de casar comigo, porém quando ele toma umas cervejas fica pra baixo e começa a falar que não tem mais filhos, que amava o amigo e eu fico sem saber o que falar. me sinto muito triste. as vezes penso que se soubesse como seria ser a segunda esposa talvez eu não teria entrado numa relação assim. eu tb fui casada por 15 anos e tenho um casal de filhos do primeiro casamento, não é facil para ele também pois até hoje a relação dele com meus filhos não é das melhores mesmo morando na mesma casa. tenho medo de mim mesma pois as vezes me sinto tão chateada com a situação que tenho vontade de por um fim em tudo. o pior é saber que na família dele o comentário é que ele se separou por minha causa, que sou a outra e outras coisas mais… e o pior é que a própria ex esposa e as filhas acreditam nessa realidade inventada por elas… é impressionante como tudo é deturpado.
    me desculpe em desabafar, mas eu precisava muito disso.

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