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Desde sempre sofremos pressão para nos encaixarmos no que é considerado mais “socialmente aceitável”.
Quando estamos solteiras, nos perguntam quando vamos arrumar um namorado. Quando arrumamos o namorado, perguntam quando vem o casamento. Quando casamento, parece que todos ficam à espreita esperando o primeiro filho. Ah…a cobrança acabou! Não…não é bem assim. Após o primeiro filho, todo mundo se sente no direito de te cobrar o segundo.

Desde que me casei com meu marido, sabíamos que queríamos dois filhos. Achávamos um número legal…quem sabe não viria um casalzinho?

Um ano depois do casamento, nasceu o Theo. Tão lindo, enorme, esperto…e chorão, como qualquer recém nascido. Passei por aquela fase de “baby blues”, onde a maioria das mulheres jura que nunca mais vai ter outro bebê, e não imagina de onde tirou a ideia de ter o primeiro.

Quando Theo estava quase fazendo dois anos, a vontade de ter outro bebê foi voltando aos poucos. Comecei a discutir o assunto com o marido. Não deu muito tempo: aos 2 anos, veio o diagnóstico de autismo, e nosso mundo virou de cabeça pra baixo.

Lembro da consulta com o neurologista que deu nome aos bois…ou ao boi: autismo. Uma das perguntas que fizemos naquela consulta foi “doutor, gostaríamos de ter outro filho. Qual a chance dele também vir autista?”. E a resposta foi “mais ou menos 5%”.

E, nisso, ele completou. “Cinco porcento parece pouco, mas é cinco vezes mais que a chance da população em geral, que é de 1%. Meu conselho é: tenha outro filho se você quiser MUITO ser mãe novamente. E nunca pra fazer companhia ao Theo, ou para ajudar o Theo. Porque, se vier outro autista, você não terá depositado um monte de expectativas vãs na criança…e vai amá-la do mesmo jeito”.

Saí de lá com aquilo martelando na cabeça. Eu ia fazer 35 anos e já me considerava meio velha para ter filhos. Mas estava no auge do desespero do diagnóstico, extremamente insegura e ansiosa sobre o futuro do meu filho, e resolvi que queria outro filho “para que ele cuidasse do Theo no futuro”. Só que o marido não resolveu junto comigo…me fez segurar a barra, disse que não estava pronto pra ter outro filho autista, que não conseguiria correr esse risco.

Hoje, agradeço muito ao marido por ter colocado meus pés no chão. Porque, passada a fase do desespero do diagnóstico – e dos óvulos gritando, desesperados, pelos 35 anos – , não tenho, realmente, vontade de ser mãe de novo.

Uma pesquisa mais recente indicou que esse risco de ter um segundo filho autista gira em torno de 20%. E, se eu tivesse 1tido outro filho pelos motivos errados e ele viesse autista, não sei como estaria meu casamento. Mas sei que não teríamos como pagar boas escolas e terapias para os 2. Além disso tudo, quem me garante que, inconscientemente, eu não culparia essa criança por não cumprir com as minhas expectativas? Afinal de contas, ele veio “para cuidar do irmão”, e precisa é de ser cuidado.

Tendo dito isto…participo de vários grupos de mães no Facebook. E, volta e meia, aparece uma falando “vou ter o segundo filho porque não quero que o primeiro seja filho único”. Ou “vou ter mais um porque filho único é mimado”. Ou ainda “vou ter o segundo porque são os filhos que cuidam da gente na velhice”. Ou o pior: “vou ter o segundo porque é assim que deve ser”. Assim que deve ser pra quem, cara pálida? Pra você ou pra quem te cobra isso? Cadê o seu cérebro? Cadê sua vontade própria?

Nesses momentos, eu sempre entro como a chata na questão e pergunto: “E se vier uma criança com necessidades especiais?”. Sim, porque a gente encomenda o filho de um jeito e ele vem de outro. Não temos como escolher com quem vai parecer, a cor do cabelo, dos olhos ou se vai ser uma criança totalmente típica ou totalmente dependente pro resto da vida!

Portanto, tenho que concordar com aquele médico que conversou comigo há 3 anos: a única razão legítima para se ter um segundo (ou terceiro) filho é a vontade profunda de ser mãe/pai novamente. Só assim, estaremos preparados para receber a criança que vier, independente de como ela seja.

Andréa Werner (http://www.lagartavirapupa.com.br)


  1. jun 30, 2016

    caramba!

    nunca li nada tão bacana, tão profundo, com tanto fundamento!
    Somente querendo muito ser pais, é que ambos estão preparados para amar o segundo filho independentemente de como ele vier!!!!!!!

    fenomenal!
    parabéns!

  2. Juliana

    maio 16, 2015

    Olá, sou nova por aqui. Acompanho a Andrea faz um tempo no seu blog maravilhoso. Tenho um filho autista que vai completar 5 anos. E tenho um filho sem rótulo que vai completar 3 anos. O primogenito não fechou o diagnóstico, por conta da neurologista e também porque não vai fazer diferença nenhuma esse rótulo. Apenas sei das dificuldades sensoriais e comunicativas dele, e portanto trabalhamos dia e noite para facilitar esses aspectos da vida dele.
    Quanto a ter outro filho, se eu penei para decidir ou me arrependi?
    Não e não.
    Quis ter outro filho, mesmo quando o o mais velho já demonstrava certas dificuldades.
    E não me arrependi de ter sido agraciada novamente.
    O mais novinho as vezes parece com o mais velho, e confesso que o alívio é maior quando sinto que ele é meio diferente como o mano dele. Se o caçula fosse sem traços de autismo, acho que ficaria mais preocupada. Afinal, somos uma família composta por gente diferente, cheia de personalidade e muito harmoniosa.
    Meu lema é: os incomodados que se retirem. Muitos se retiraram de nossas vidas, mas os que ficaram fazem nos sentir muito especial. Só agradeço aos amigos e queridos que nos aceitam como somos.

  3. Gisele

    maio 16, 2015

    Tenho 3 filhos,2 meninas(11 e 7 anos) e 1 menino de 6.Ele é autista e sempre quis ter mais de um filho.mas,não sei se o primeiro fosse autista eu teria outros.Acontece que hoje é muito claro que a evoluçào dele se dá mais eficazmente pelo convívio diário c as irmãs.”bricadeiraterapia em tempo integral”.

  4. Juliana

    mar 27, 2015

    Tenho um filho autista de 4 anos e uma vontade infinita de ser mãe de novo. Embora eu saiba dessa probabilidade maior de ter um segundo autista, minhas esperanças são depositadas no fato de que a maioria das pessoas que conheço com um filho com tea os irmãos se apresentam típicos. Mas vem o medo de não ter a mesma sorte.Se vier com o João eu aguento a barra, mas e se vier severo? Nunca tive o pensamento de te-lo para cuidar do outro. Jamais colocaria uma responsabilidade desse tamanho em uma criança. Por outro lado, pode parecer cruel, mas acredito que mães na mesma situação que eu vai me entender, se é que já não passou pela cabeça de vocês também, eu gostaria de ter um filho para ter o que sei que nunca vou ter com meu filho autista. Estou realmente muito confusa. Espero então que meus hormOnios deem uma sossegada quem sabe assim consigo decidir racionalmente.

  5. Eli

    set 09, 2013

    Tenho um filho autista, ele tem 4 anos, tenho muita vontade de ser mãe novamente, sonho com uma menina, mas se Deus me dê um menino vou ama-lo muito.Mas o que me segurou até hoje foi o medo de ter outro autista.

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