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Três semanas morando em Londres e posso dizer que já aprendi muita coisa. E, sinceramente, dirigir do lado direito foi a menos importante.

Sempre que eu ouvia alguém dizer que ia morar na Europa, eu pensava “que glamour, que pessoa chique”. Sim. Ou não. Depende do ponto de vista.

Você ganha paisagens incríveis, cultura e história na veia, benefícios do desenvolvimento tecnológico, mas tem que foto2_baixamão de algumas coisas consideradas vantagens de um país ainda em desenvolvimento: a empregada doméstica – herança da nossa cultura escravocrata – , o manobrista na porta do restaurante, o “tudo se resolve pagando”.

E a razão disso tudo é muito óbvia: em um país com distribuição de renda menos desigual e com educação de qualidade, sobra pouca da chamada “mão de obra não qualificada e barata”. Tirando os imigrantes ilegais, que topam muita coisa por pouco, quem resolve ser babá ou faxineira cobra caro, e por hora. Portanto, se você vai vir morar por aqui, melhor se acostumar a lavar a própria roupa e limpar o próprio vaso sanitário. Zero glamour pra alguns.

Em um país em que o transporte público funciona às mil maravilhas, não existem privilégios como o manobrista em tudo quanto é restaurante pra quem anda de carro. Se você quer mesmo tirá-lo da garagem, se vire, ache uma vaga (coisa difícil), procure um parquímetro e pague pelo tempo em que ocupar o espaço público da rua.

Comprou móveis? Uma cama elástica pro seu filho? Legal. Você, ainda com a cabeça do Brasil, pensa “onde eu ligo pra alguém vir montar?”. Engraçado…na nota fiscal não tem nenhum telefone. Tudo bem…você não liga de pagar pra alguém fazer isso. Só que não acha ninguém pra fazer, nem pagando. Mãos à obra! Abra o manual de instruções, compre uma parafusadeira e se vire!
Não há ser humano que não desenvolva um jogo de cintura fenomenal morando por aqui!

Claro que um país desenvolvido também tem ferramentas pra ajudar o seu “sevirômetro”: produtos de limpeza de ponta e muito mais eficientes, lava-louças que realmente limpa, comida pronta em níveis inimagináveis (ontem, mesmo, comprei purê de batata congelado em cubinhos). Tudo pra tornar o seu momento “mão na massa” menos tortuoso.

O engraçado é que isso traz mais senso de propriedade e responsabilidade. Você é mais dono do que compra, monta, cuida, limpa e, posteriormente, descarta.

Aliás, lixo, aqui, é coisa levada muito a sério. Há recipientes diferentes por tipo de lixo e caminhões separados para fazer a coleta de cada um. Restos de comida vão para a compostagem, uma técnica que transforma matéria orgânica em decomposição… em adubo. E tem um saquinho próprio, que você compra no supermercado, para depositar isso tudo.

Como o caminhão de lixo passa só uma vez por semana, eu tenho separado os recipientes em sacolas dentro de casa. E isso traz uma consciência – e um peso – enorme com relação ao tanto de lixo que produzimos. Incomoda. Mas nada tira o sono mais do que a consciência sobre a quantidade de comida jogada fora. Toda vez que eu fecho um saquinho a mais para a compostagem, fico pensando o que poderia ter feito diferente para não desperdiçar tanta comida. Já comecei, inclusive, a pensar em uma estratégia pra isso.

Mas, afinal, isso tudo é glamour? Como eu disse lá em cima, depende do ponto de vista. O que posso dizer é que tenho aprendido muito. Percebi que não preciso comprar tanta comida, tanta roupa, que melhor do que ter muito é realmente usar o que se tem em casa. Ser realmente proprietário das coisas, e não somente usuário.

Atualmente, glamour, pra mim, é comprar, consumir e descartar com consciência. Talvez, esse seja o maior aprendizado que eu obtive dessa experiência para transmitir ao Theo um dia.

Andréa Werner (http://www.lagartavirapupa.com.br)

  1. Patricia

    out 20, 2013

    Olá Andrea, muito bom o texto.

    eu assino embaixo.

    moro na Alemanha há 8 anos e senti isso na pele, agora já me acostumei e gosto de criar meu filho de 7 anos aqui, nao me vejo mais morando no Brasil, so qdo eu aposentar e meu filho sair de casa e olhe lá.

    como vc disse, nao há paraíso na terra, tem o lado bom e negativo, mas me identifico mais com o mode de vida daqui.

    abraco e boa sorte pra vc.
    tava lendo seu blog, vc procurando escola pro Theo. Meu filho estuda na escola Montessori, tem no mundo todo e lá aceitam todas as criancas, nao importa a dificuldade que têm.

    abraco

  2. elci

    out 17, 2013

    e muito bom saber estas coisas, mais pessoas devia ter assesço, este aprendizado, obrigada,

  3. alessandra risden

    out 16, 2013

    Ler esse post me fez sentir muitas saudades da Espanha 🙂
    No final só voltamos ao Brasil por causa da família…
    Tem os prós e contras, já sei – mas a qualidade de vida na Europa é muito melhor, gostaria de ter criado meus filhos aí – mas optamos por ficar perto dos avós, o que também é qualidade, talvez ainda mais importante 🙂 Beijo e boa sorte para vocês!

  4. Priscilla

    out 16, 2013

    Oi Andrea, sempre acompanho seu blog e acabei de ler a materia. Estou passando exatamente pela mesma situacao…Faz 3 semanas que nos mudamos para Austin, USA, e aqui tambem e assim….deixei estes “confortos” no Brasil de ter empregada, baba e agora temos que nos virar por aqui….E inicialmente estava em assustada com isso e pensando, sera que vou dar conta? Mas da certo sim. e como voce bem falou, agora realmente sou responsavel pelas coisas em casa, a alimentacao dos meus filhos, o playground no jardim, etc…Boa sorte pra voces em Londres!

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