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Beijo TheoEra uma sexta à tarde e eu estava no supermercado. Enquanto escolhia umas frutas, tive a leve impressão de que uma pessoa estava me encarando. Convenci a mim mesma de que era impressão e continuei a ensacar as peras e maçãs. Alguns metros à frente, vejo a mesma pessoa – uma mulher jovem, vestida de preto – logo atrás de mim. Me olhava de forma interrogativa e parecia que ia dizer algo. Ok. Ela estava realmente olhando pra mim! Devolvi o olhar, e foi quando ela disse “você é a Andréa do Lagarta?”. 
Ufa! Eu já estava pensando “o que foi que eu fiz pra essa pessoa me seguir”! No final das contas, batemos um longo papo entre os pimentões e as bananas. Ela me disse que tinha dúvidas sobre o desenvolvimento do filho de 1 ano, indiquei um bom médico e saí de lá me achando engraçada…
Era segunda, dia da natação do Theo. Logo que ele saiu da piscina, fui até o vestiário, com ele, para trocá-lo e levá-lo pra casa. Enquanto enxugava sua cabecinha, percebi que uma mulher me encarava logo ao lado. Antes que houvesse tempo pra eu me preocupar, ela pergunta “Ele é o Theo?”. Respondi que sim e ela devolveu, sorrindo: “eu sigo o blog da mãe dele!”. Sorriso dela, sorriso meu, silêncio. Ela volta a perguntar: “você é a mãe dele??”. E lá se vai mais meia hora de conversa sobre autismo.
Uma certa quinta à tarde, estávamos eu e Theo em um shopping de São Paulo, onde fomos fazer o passaporte dele. Chegamos e demos de cara com uma fila enorme, e lá fui eu saber se o mocinho teria atendimento preferencial. Enquanto ando de um lado pro outro puxando o Theo pela mãozinha, escuto um “Andréa!”. Olho e vejo uma loira bonita e sorridente. Ela logo diz “te reconheci pelo Theo! Você não me conhece pessoalmente. Mas eu sou a fulana! Sigo o seu blog!”. 
Um dia, ouvi a definição perfeita: “ser famoso no Facebook é como ser rico no Banco Imobiliário”. Gente, acho que comprei a Avenida Atlântica inteira então! 🙂
É legal, de certa forma faz bem pro ego, mas traz uns probleminhas acoplados. Um deles é que eu acabo ficando conhecida como “a mãe do Theo”. Sim. Eu sou “a mãe do Theo”. Super orgulho de ser mãe desse garotinho lindo e fofo, mas isso confunde às vezes, sabia? 
Conheci, há algumas semanas, uma mãe muito especial. Ela batalhou muito tempo pela inclusão de sua filha com paralisia cerebral e isso tudo até virou um livro. Quando perguntei por que ela não atualizava mais o blog que mantinha, ela respondeu: “comecei a ter uma crise de identidade. Eu não era mais a “fulana”. Era a “mãe da fulaninha”. Precisei me achar, descobrir quem era eu de verdade, que outros assuntos eu conhecia além de paralisia cerebral, precisei dar um tempo”.
Não acho que estou vivendo uma crise de identidade como a da colega aí de cima…ainda. Mas já notei que preciso pegar mais leve, sim. Lidar com os sentimentos dos outros pesa. Ouvir mães chorarem, se lamentarem, se desesperarem também tem um lado ruim. Não consigo não me envolver…sofro junto. Pego grande parte dessa carga pesada pra mim. E isso não faz bem.
Outra coisa que acontece é ser tratada como uma “prestadora de serviços”. As pessoas querem respostas IMEDIATAMENTE. Mandam um email. Se eu não respondo, mandam mensagem de “follow up” no Facebook. Esquecem que eu sou só uma e que, além do blog, tenho marido, filho, casa, meus próprios problemas pra gerenciar.
Acho que não é à toa que estou doente há 2 semanas…logo eu que NUNCA fico doente. Emendei a pior amigdalite da vida em uma gripe muito chata e fiquei de molho. Talvez, seja o meu corpo mandando um sinal. Talvez eu precise desapegar um pouco dos problemas dos outros (nunca das pessoas!). E arrumar uma válvula de escape saudável pra todos esses sentimentos tão intensos. 
Vai ser muito difícil, porque eu costumo dizer que sofro de excesso de empatia. Eu choro até em comercial de shampoo. Mas já estou tentando não me desesperar com os emails e mensagens que se acumulam. Preciso estar bem porque o Theo – aquele, de quem eu sou a mãe – precisa de mim. Ele, o motivo pelo qual o blog começou, precisa muito de mim. E dar mais prioridade ao blog do que ao meu filho é a verdadeira inversão de valores.
 
Estou inaugurando, portanto, a fase “Andréa light”. Torcendo pra dar certo. Aguardem cenas dos próximos capítulos! 
;-)

Andréa Werner (http://www.lagartavirapupa.com.br)

  1. Fabi

    jul 19, 2013

    Oi, Andrea light!
    Eu sou grata a você e às pessoas que frequentam o seu blog pelo que aprendi sobre autismo, crianças e mães especiais, solidariedade, cidadania (sim, tem isso lá também!). Acho muito bacana o alento que proporciona às pessoas que vão passar e/ou estão passando por situações que você já viveu, e, principalmente, as informações que disponibiliza. Tenho certeza que muitas crianças vão ser diagnosticadas mais cedo, alguns pais vão deixar de cair em ciladas com médicos, terapeutas e escolas e outros tantos vão brigar pela inclusão e acreditar nas potencialidades de seus filhos só porque você escreveu (magistralmente) sobre tudo isso.
    Sim, você é a mãe daquele fofolucho do Theo. E, sim, ele tem autismo e esse é o motivo do seu blog. Mas, não é por isso que o Lagarta Vira Pupa é demais. O seu blog é o que é porque você o faz assim. Porque ele é você. E você é tudo de bom.
    Em cada linha que escreve traz a sua visão de mundo, defende o que acredita, provoca reflexão. Se tem uma coisa que não é nem de longe é monotemática. Palavra de quem não tem filho autista, odeia banco imobiliário desde criancinha e acha que ser celebridade está mais perto de defeito do que de qualidade!
    Saber a importância de estar inteira, de não assumir responsabilidades que não são suas, de reconhecer seus limites só faz com que a admire mais. Gosto de gente dona de si. Versão light ou punk rock, tanto faz.
    Um grande abraço. Fique bem, amiga querida.

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