Começa um novo ano e com ele sempre novos planos. Emagrecer, trocar o carro, comprar um apartamento, fazer economias, viajar… e principalmente, mudar… Mudar o jeito de ser e a maneira de agir. Engraçado como o tempo vai passando e a gente nota que existem coisas e situações que são imutáveis. Passamos por momentos muito semelhantes, ano após ano, e continuamos agindo da mesma forma.

E questionamos… por que isso acontece? Ora… a resposta é simples. Não mudamos nossa essência, nossos valores e nossas crenças. Podemos até tentar agir de forma diferente, mas isso dura apenas alguns segundos. Isso porque, na verdade, achamos que mudando o nosso comportamento conseguiremos mudar o rumo da prosa. E a prosa não é algo solitário. Não é algo de mão única. A vida nos mostra que vivemos insistindo nos mesmos erros, acreditando em momentos que não nos levam a lugar nenhum.

O que fazer? A escolha é nossa… Não é preciso desacreditar de nossos sonhos, fugir de nossas vontades ou se isolar, como se a solução fosse fazer um mundo próprio. O segredo está em aceitar ou não o que nos é colocado, a todo momento, e em todas as relações. Sabemos que o fim pode não ser o esperado, mas isso não depende somente de nós. Dizem que o universo conspira ao nosso favor e corremos em busca de uma felicidade desenfreada que não está nas nossas conquistas materiais, mas sim no nosso autoconhecimento.

Foto: Free Images

Os anos passam e nos olhamos no espelho e nos desconhecemos em muitos comportamentos. Isso não acontece porque mudamos, mas sim porque queremos mudanças e elas não acontecem forçosamente. Estamos aqui por algum motivo que com certeza, morreremos sem saber. Então, comecei o ano medindo minhas forças comigo mesma. Vendo até onde posso chegar e o porque de enxergar histórias parecidas de modo diferente. Na verdade, todos querem a mesma coisa, ou seja, uma vida tranquila. E isso pode ser as contas pagas, um amor tranquilo, a família em paz e com saúde, um trabalho bem feito. Mas sempre estamos insatisfeitos com o que passamos.

Essa insatisfação constante pode estar inserida no nosso comodismo. Se está bom assim, melhor não arriscar, pois as coisas podem piorar. Ora, mas elas podem MELHORAR também… e isso só depende de nós. Não fomos preparados para as perdas, somente para as conquistas. Por isso, as vontades são antigas. Temos medo de ir em busca do desconhecido. Afinal, qual vai ser a nossa reação ou o nosso resultado com tudo isso? 

Steve Jobs já dizia que a única maneira de fazer um bom trabalho é amando o que faz. É isso… colocar amor em tudo, acreditar que as vontades não são antigas, mas que são vontades que podem demorar anos para serem conquistadas. Não é preciso mudar o seu “EU” para ter uma existência plena. Basta saber apreciar o começo, o meio e o fim do dia, sem questionar porque passamos por aquilo… seja algo positivo ou negativo.

O nosso maior presente é acordar todos os dias sem saber quanto tempo isso vai durar. Enxergar beleza nas coisas mais simples do nosso cotidiano. Na verdade, saber observar, respirar e continuar acreditando, sem nunca perder o entusiasmo. Sem perder a força que está dentro de nós e, claro, agradecendo por cada amanhecer. Além disso, coloque romantismo em tudo e tenha em mente que errar faz parte. Por que não?

Não importam quantos anos novos começamos e quantas vontades antigas vamos levar por todo esse tempo. Nessa fase da vida, podemos nos dar a chance de cair e levantar quantas vezes forem necessárias. O que devemos ter em mente a cada novo ano que se inicia é que temos o direito de sempre sonhar. E acreditem, sonhos podem se realizar… sejam materiais ou não.

E viva mais um ano novo…ou um novo ano!!!! Só depende da nossa aceitação.

Quem é Ana Kalyne? 

Ela é jornalista – foi repórter nas TVs Record, Gazeta e Alphaville – e desde 1999 é apresentadora na TV da Assembleia Legislativa de SP.

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